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Estrutura Econômica

A Armadilha da Renda Média: Por Que o Brasil Não Consegue Dar o Próximo Passo

Uma análise estrutural das razões pelas quais a economia brasileira oscila entre crescimento e estagnação sem alcançar o desenvolvimento sustentado.

Por Adriana Queiroz 16 jul. 2025 · Atualizado em 17 jul. 2025 12 min de leitura

O conceito de "armadilha da renda média" foi popularizado por economistas do Banco Mundial na década de 2000 para descrever países que conseguem sair da pobreza extrema, mas ficam presos numa faixa intermediária de renda per capita sem conseguir dar o salto para economias de alta renda.

O Brasil é um caso de manual. Em 1960, o país tinha uma renda per capita de cerca de US$ 1.500 em dólares de 2010. Em 2025, está em torno de US$ 10.000 — um crescimento real expressivo ao longo de 65 anos. Mas a Coreia do Sul, que tinha renda per capita similar à do Brasil nos anos 1960, está hoje em US$ 35.000. Taiwan e Singapura foram ainda mais longe.

O Que Separa os Que Escaparam dos Que Ficaram

A literatura econômica identifica alguns fatores comuns entre os países que conseguiram escapar da armadilha. O primeiro é a qualidade da educação — não apenas o acesso, mas a qualidade do aprendizado. O Brasil tem taxas de matrícula razoáveis, mas os resultados do PISA mostram que os estudantes brasileiros aprendem significativamente menos do que seus pares em países de renda similar.

O segundo fator é a capacidade de inovação e absorção tecnológica. Países que escaparam da armadilha — Coreia, Taiwan, Israel — investiram pesadamente em P&D e construíram ecossistemas de inovação que permitiram subir na cadeia de valor global. O Brasil gasta menos de 1,2% do PIB em P&D, contra 4% da Coreia do Sul.

O Papel das Instituições

Há também um componente institucional. A insegurança jurídica, a complexidade tributária e a instabilidade regulatória encarecem o investimento produtivo no Brasil de forma desproporcional. O custo de compliance tributário no Brasil é um dos mais altos do mundo — empresas gastam, em média, 1.500 horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais.

"O Brasil não tem um problema de recursos. Tem um problema de como aloca esses recursos. E a alocação é determinada por instituições — que são difíceis de mudar, mas não impossíveis." — Economista da FGV consultado pela redação

A saída da armadilha da renda média não tem atalhos. Exige reformas estruturais de longo prazo, consistência de política econômica ao longo de múltiplos governos, e uma aposta real em educação e inovação. O Brasil tem os ingredientes. O que falta é a receita — e a paciência para segui-la.

Adriana Queiroz
Economista e Pesquisadora

Doutora em economia do desenvolvimento pela USP. Pesquisadora de crescimento econômico e desenvolvimento institucional. Fundadora da Perspectiva Econômica, onde publica análises de longo prazo sobre a economia brasileira.